
Pelos caminhos que esboças no meu corpo sei que ainda não conheces os meus desertos.
Eles são longos...de noites tormentosas e dias frios.
As noites são escaldantes!... onde as luas escondidas ardem de deleites inconscientes em sonhos de realidade.
Os dias, ah os dias! Esses são gélidos... onde eu desabrigada avanço nua de mim... e em imensa vergonha tapo o que ninguém vê.
E é sempre no pôr do sol que rolam silenciosas as águas salgadas contemplativas do que não sou. Escorrem corpo adentro. Criam lagos sublimes em paisagens diáfanas transpiradas pelos interstícios deste corpo que imagina ser meu.
E é sempre no despontar do dia que não acordo. Adormeço enfim para que já não padeça a o entorpecimento último da morte lenta...muito lenta...
E tu desenhas-me o corpo sem saberes que já não existo.