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quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Dono da Eternidade

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Taciturno e doente, arrastava os sapatos pelo o chão de madeira corrida. Parecia praguejar baixinho, constante na queixa. No cinto pendurava-se um molho de chaves que abriam as numerosas salas, submergidas em conhecimento. Vigiava a entrada com ressentimento. Poucos entravam naquela biblioteca cheia de pó, ácaros e aranhas. Ninguém percebia o tesouro que escondia. O bibliotecário  zelava com cuidado o segredo da sua antiguidade. Os poucos que da biblioteca se acercavam eram judiciosamente ignorados, e perdiam-se no labirinto.  Agastados desistiam e procuravam saber em outras bandas, agora mais simpáticas e nas pontas dos dedos. São tão estúpidos esses estudantes. Ignorantes e preguiçosos, pensou.  Um grupo de rapazes invadiu o átrio. Procuravam um livro obsoleto. Pode indicar-nos onde podemos encontrar livros dos anos sessenta? Olhou com desprezo. Ah, isso é muito difícil de pesquisar, murmurou. E especificamente qual é o interesse de vossas mercê? Magia, explicou o mais astuto. Isso não existe. Muito menos no século XX. Empurrou-os sem cuidado e voltou ao seu inferno. O molho de chaves caíra no chão. Ninguém repara. O estudante engenhoso enfiou-as na mala sorrateiramente, novo dono da eternidade.



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