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sábado, 29 de maio de 2010



Irrita-me que ainda não saibas distinguir os meus precipícios.
Atiras-te com rancor de algum descaso meu?
Zangaste porque não te quero já agora como demandas?
E atiras afiados contextos por trás da alma, em perfeito príncipe,
Assim escondido em forma elegante, maltrapilhas a minha alma
E insinuas insidioso e mau:
não é ninguém.
Minutos mais tarde já arrependido da desfeita,
Procuras enganar-me com mimos num desculpa-lá,
intuído mas não dito,
transitório, inconfesso e incompleto.
E depois esqueces-te de mim, satisfeito na tua forma sem conteúdo,
Apoiado no gesto, protegido da compreensão, julgas.
Insultas-me a alma repetidas vezes,
Ainda sem medir bem a inteligência,
Ou se sim, perverso.
Tens certeza de que é o meu amor que queres?
Eu sei que não.
Faz-se de conta.
E o tempo passa subtil e irremediável.

Anamar
29 de Maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010









Em tempestade entrego meus pensamentos ao horizonte.
A cabeça cheia de ventos,
O peito contido e preso.
Adivinho amarras do passado,
Densas e cruas.
Vexames,
Humilhações,
Equívocos.

Amontoei tantos erros,
Empilhei desgostos,
Juntei desvarios e construi uma torre alta...altiva...

Isolada de mim ensombrou-se-me a alma.
Subi pé ante pé ao cume do desencanto.
E observo desconsolada a minha vitória,
Este mundo inquieto que me destrói.

Lava-me horizonte a alma!
Limpem-me chuvas!
Esvaziem-me ventanias!
Que amanhã já tarda e renascerei divina.

Anamar
11 de Maio de 2010

sexta-feira, 7 de maio de 2010


Calem-se sentimentos,
Silenciem-se instintos,
Apaguem-se sensações,
Emudeçam-se ego e super-ego,
Desaparece intuição!
Quietos! A todos ordeno imediata suspensão.

Rejeito a confusão de vozes e sentidos e
Declino a vossa sedutora prosa.

Ah! Não. Não mais vergar-me-ei a vãos contentamentos.
Iludem a alma, cegam o espírito.
Amputam-nos da existência no seu flutuar vagabundo.
Irreal. Inconsequente...
Decapitam-nos da raiz da vida.

Ah! Não! Prefiro viver da razão!
Tão discreta e serena.
Comedida.
Moderada.
Elegantemente sóbria...
Ligeiramente fria.
Frígida talvez...
Gélido bafo branco...
Arrepia-se-me o corpo...

Volta depressa amor
e regressa veloz cobertor da paixão!
Pois sinto inerte a alma sem a voz da tentação.

Anamar
07 de Maio de 2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Murmuram vozes, sorrisos soltos, olhos aguçados.
Comentam. Comparam. Condenam.

Atendo à forma. Pois a forma é força.
Falo de tudo e digo quase nada.
Despreocupada aparência.
Solta e levemente perecível.
Refúgio de alma inquieta.
Suspiro de alívio.
Nada é preciso ser dito.
Tudo pode ser ignorado.
O conteúdo oculto na neblina fina das luzes da ribalta.
Preparo um sorriso solto.

Anamar
06 de Maio de 2010